Não há professor nenhum que ganhe 4 mil euros – Fenprof

Material didático em fundo cinza

Segundo Mário Nogueira, secretário geral da FENPROF, o relatório da OCDE recentemente divulgado sobre os salários dos professores está construído com base em dados errados.

Sobre os salários dos professores, a central sindical emitiu uma nota onde considera que a forma como, publicamente, foi abordado o relatório da OCDE e como foram divulgados os dados relativos à situação dos professores em Portugal é de uma falta de rigor impressionante, que só não surpreende porque, como se sabe, se os dados fossem devidamente abordados isso não seria notícia.

Para a federação de professores além de os valores considerados pela OCDE não serem os corretos, também não foram considerados todos os constrangimentos que afetam os professores, desde logo a perda de, no mínimo, 9 anos, 4 meses e 2 dias de serviço, o que faz com que nenhum docente esteja integrado no escalão por onde, alegadamente, as contas foram feitas. O único fator que a OCDE teve em conta para justificar os números que avança foi o envelhecimento da profissão docente.

Em relação ao horário de trabalho também é falso o cálculo que foi divulgado.

Os professores portugueses trabalhariam por ano, se o seu horário fosse apenas aquele que se encontra na lei (35 horas semanais), 1.190 horas e não 920 horas. Como as normas legais de organização do horário são desrespeitadas – problema que a FENPROF tem vindo a denunciar, exigindo a regularização –, na verdade, os professores em Portugal trabalham, anualmente, mais de 1.500 horas (mais de 46 horas semanais)! O que o relatório da OCDE parece fazer é comparar o incomparável: a componente letiva dos docentes portugueses com o horário completo dos professores dos outros países.

Assim, quer em relação aos salários dos professores, quer aos horários de trabalho, partindo de uma base que é errada, todas as conclusões são falsas e não servem para nada a não ser para, mais uma vez, manipular a opinião pública num momento em que os professores lutam em defesa da sua carreira e de melhores condições de trabalho.

Face a estes dados que foram postos a circular, a FENPROF vai solicitar ao diretor de Educação e Competências da OCDE, Andreas Schleicher, dando disso conhecimento ao Secretário-Geral da Internacional de Educação, David Edwards, a correção dos dados que foram divulgados e também informação sobre quem forneceu os dados que permitiram divulgar estas mentiras.

As declarações em Video:

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